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Primórdios
A historia de São Caetano do Sul se prende estritamente a de Santo
André, do mesmo modo que a deste se prende a da Capital de São Paulo.
- se João Ramalho, Capitão Mór do Campo de Piratininga. Não foi feliz,
no início, Oficializado o povoado de Santo André da Borda do Campo por
Martim Afonso de Souza, elegeu o núcleo aí fundado, pois era
constantemente atacado pelos índios e o clima era muito frio, sendo
mudado para junto do Pátio do Colégio de São Paulo.
Quanto ás terras que viriam a formar o Município de São Caetano do
Sul, constituíam com São Bernardo do Campo, a Vila de Santo André da
Borda do Campo, cuja extinção foi decretada por Mem de Sá, em 1560.
Fazenda São
Caetano
Passaram-se muitos anos até que os frades Beneditinos radicados no
Brasil, já há algum tempo, fundassem a fazenda de São Caetano, nas
terras de Tijucuçú. A partir de 1631, surgem na história da cidade
duas figuras que participam na formação patrimonial de São Caetano: O
Capitão Duarte Machado e sua esposa doaram à Ordem de São Bento, em
São Paulo, as terras de Tijucuçú. O Bandeirante, Fernão Dias Paes
Leme, em 1671, doou 500 braças de terra aos Beneditinos, enriquecendo
o referido patrimônio. Forma-se assim, a Fazenda São Caetano, cuja
denominação é uma homenagem ao Santo da Divina Providência, muito
cultuado pela Ordem.
Até 1764, os frades administraram a fazenda, na qual construíram o
marco da futura cidade e erigiram uma pequena Capela tosca. Mais
tarde, com a chegada dos imigrantes italianos, em 1877, veio dar
origem à Igreja São Caetano. A partir daí, porém, Portugal ficou sob o
jugo do Marquês de Pombal e as atividades dos Beneditinos foram
proibidas e as terras abandonadas aos poucos.
Colonização
Com a retirada dos frades, o mato cobriu o marco da fé cristã, junto a
atual Matriz Velha. As primeiras atividades econômicas na região de
São Caetano datam de meados do século XVII, quando os Beneditinos
iniciaram culturas e edificaram uma olaria.
Somente em 1868, recomeça a verdadeira luta de São Caetano pelo
progresso, com a inauguração da estrada de ferro inglesa São Paulo -
Railway Company. Dez anos após, o Governo Imperial adquiriu as terras
de São Caetano para instalar um Núcleo Colonial, visando incentivar a
imigração, e com isso, minorar os efeitos da evasão da mão de obra
agrícola. Em 1876, estabeleceram-se os primeiros núcleos agrícolas
para imigrantes: dois centros são criados, mas, o da Fazenda São
Caetano é o primeiro a ter inauguração efetiva, a 28 de janeiro de
1877.
Como medida preliminar, a 29 de junho de 1877, saem da Itália, com
destino ao Brasil, algumas famílias de imigrantes embarcadas no porto
de Gênova, pelo vapor Europa. O primeiro grupo de italianos, integrado
por 28 famílias, chegava a 28 de julho, ao Núcleo Colonial, que foi
instalado com a presença do Dr. Sebastião José Pereira, Presidente da
Província e do engenheiro Leopoldo José da Silva, da Comissão de
Terras e Colonização.
Faziam parte da primeira leva, oriundos da Província de Treviso, na
Itália, os seguintes chefes de família: Antonio Gallo, Antonio
Martorelli, Antonio Garbelotto, Caetano Garbelotti, Celeste Pantallo,
Domenico Bottan, Domenico Perin, Eliseo Leoni, Emílio Rossi, Francesco
Bortolini, Francesco Fiorotti, Francesco de Martini, Felippe Roveri,
Giácomo Dalcin, Giovanni Moretti, Giuseppe de Savi, Giuseppe Salla,
Luigi D'Agostini, Modesto Castelotti, Natale Furlan, Pietro Pessotti,
Paolo Martorelli, Pasquale Cavana e Thomaso Thomé.
Seis meses depois, chegava uma segunda leva de imigrantes, oriundos da
Província de Mântua, com os seguintes chefes de família: Luigi Baraldi,
Francesco Coppini, Isacco Coppini, Francesco Carnevalle, Francesco
Ferrari, Modello Dionisío, Genaro Luciani, Giovanni Vicentini,
Francesco Modesto, Eugênio Modesto e Domenico Vicentini.
O trabalho agrícola predominou nos primeiros anos, sobressaindo-se a
cultura de videiras, cujos frutos davam excelentes vinhos.
Posteriormente, despertou o interesse pela exploração das terras
argilosas, resultado daí o aparecimento de diversas olarias, e depois
o aparecimento da indústria de cerâmica.
Depoimento importante, que enriqueceu o documentário local, foi
concedido ao Jornal de São Caetano, em 25 de julho de 1948, por José
Thomé, filho de Tomaso Thomé, integrante desse grupo de imigrantes:
"Quando aqui chegamos, o trem parou diante do lugar onde hoje se
instala o alojamento de conserva da estrada de ferro. Tudo era mato ao
redor, havendo apenas uma "picada" que, da estação, conduzia até a
igreja. Caminhamos por ela para encontrar, afinal, uns casebres à
volta do templo. Tudo o que era São Caetano, então".
De julho a dezembro de 1877, o engenheiro chefe da colônia, Leopoldo
da Silva, coadjuvado por Emílio Rossi, providenciou a instalação das
referidas famílias, o envio de ferramentas agrícolas e as folhas de
indenização aos imigrantes, pois cabia ao Governo Imperial cobrir
essas despesas.
As condições da Colônia, contudo, não atendia as esperanças dos recém
chegados, tendo estes manifestado mesmo o propósito de retirada. Ao
voltar de sua dirigiu-se à Fazenda São Caetano, desembarcando no mesmo
local em que o fizeram os colonos e visitou o alojamento instalado ao
lado da capela. Tal atitude contribuiu, decisivamente, para fortalecer
o espírito dos imigrantes que viriam a escrever uma das mais belas
páginas da colonização do Brasil.
São Caetano progride com rapidez, e em 1886, já era um dos grandes
centros produtores da província de São Paulo. A história
político-administrativa de São Caetano acompanhou em parte seu
desenvolvimento econômico. Em 1901, seu território, que até então
pertencia ao Município de São Paulo, foi anexado ao recém criado
Município de São Bernardo do Campo.
Em 1905, São Caetano era elevado a Distrito Fiscal. A fixação das
primeiras indústrias coincidiu com a sua elevação a Distrito de Paz,
em 1916.
Em 1924, o Arcebispo de São Paulo, Dom Duarte Leopoldo e Silva, dava
ao núcleo a sua primeira Paróquia e seu primeiro Vigário que foi o
Padre José Tondin.
A vila transformava-se em cidade. A indústria Pamplona, foi a primeira
fábrica instalada, vindo a seguir a fábrica de Formicida Paulista, de
Serafim Constantino. A primeira sociedade de caráter social e
filantrópico, foi a Sociedade Beneficente "Principi di Napoli",
fundada em 1891 e a segunda foi a União Operária de São Caetano".
Data de 1928 a primeira campanha em prol da Autonomia da cidade, sendo
nessa ocasião, frustrado o movimento. Quanto Santo André substituiu
São Bernardo do Campo com sede do Município, em 1938, São Caetano
passou a se constituir em segunda zona do Distrito, para em 1944,
ficar reduzido a segundo Sub-Distrito de Santo André, enquanto São
Bernardo constituia-se em município autônomo.
A estrada de ferro inglesa São Paulo - Railway Company, depois Estrada
de Ferro Santos - Jundiaí e hoje Rede Ferroviária Federal, assumiu
papel significativo no transporte diário dos imigrantes italianos que
se instalaram próximos a seus trilhos, e sobretudo, no estabelecimento
das indústrias que procuravam alinhar-se perto da ferrovia, com
intuito de facilitar o transporte de suas mercadorias e matéria prima.
Situado entre a Capital e o porto de Santos, principal núcleo de
exportações do país, São Caetano ocupava posição estratégica
favorável, primeiro como escoadouro de café em período áureo, e mais
tarde, como centro industrial.
A indústria da cidade encontrou no núcleo de imigrantes italianos e
seus descendentes a primeira fonte de mão de obra adequada ás suas
necessidades. Mais tarde, as Vilas Operárias que se formavam em torno
das indústrias estabelecidas na área suburbana de São Caetano, atraiam
os primeiros contingentes nordestinos. |