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Avenida Goiás - Memória
A avenida Goiás tem
três quilômetros de extensão, começando na vila Barcelona, ao término
da avenida D. Pedro II, e terminando no bairro Santo Antônio, junto à
avenida Guido Aliberti. Atravessa a região norte de São Caetano do
Sul, passando pelo centro - região da antiga sede da Prefeitura - e
cortando os bairros vila Santa Paula, Santo Antônio e vila Barcelona.
A avenida liga as
cidades de São Paulo, São Caetano do Sul e Santo André. Em Santo André
transforma-se na avenida D. Pedro II. É a principal via de São Caetano
do Sul.
A abertura da avenida
Goiás alargou o panorama urbanístico de São Caetano do Sul e Santo
André, gerou dividendos políticos e foi motivo de críticas e elogios.
Ela já recebeu
diversos nomes: no trecho da vila Barcelona foi a primeira rua Seis do
seu tempo de loteamento. Em 1929, denominava o trecho entre a rua
Santo Antônio - atual Senador Roberto Simonsen - até o início da vila
Barcelona. Foi denominado, ainda, Avenida Pereira Ignácio, Avenida
Wilson, Rua Regina, Avenida Souza Ramos e São Caetano di Thiene.
 
Comércio
Embora até metade
deste século a avenida ainda conservasse uma grande quantidade de
residências, foi o comércio que melhor se desenvolveu nela. Já no
final de 1890, entre os lotes de Antônio Gallo e Eliseo Leone, um
grupo de capitalistas dirigidos por Manoel Joaquim de Albuquerque
Lins, futuro governador de São Paulo, implantou o que viria a ser a
Fábrica de Formicida Paulista.
Nos anos 30, alguns
italianos tinham chácara de leite onde é hoje o clube da General
Motors.
Na década de 40
existiu, na avenida, o campo de futebol do Vasquinho, onde depois
seria montada a indústria Nice. Com a vinda da empresa o Vasquinho
perdeu o campo.
Hoje estão
concentradas na avenida potências econômicas como a General Motors (e
seu clube), dezenas de casas comerciais que ultrapassam décadas de
existência, igrejas, agências bancárias, clínicas médicas, bares,
restaurantes, danceterias, escolas, postos médicos, o antigo paço
municipal - que atualmente abriga a Câmara Municipal, o Departamento
de Educação e Cultura, a Biblioteca Municipal "Paul Harris" e dois
cartórios eleitorais, um edifício de garagens, um posto telefônico,
uma delegacia, um batalhão do Corpo de Bombeiros, lojas de
conveniências, agências de automóveis, escolas de Inglês e de
informática e vários postos de gasolina.
 
Trânsito
Antes de 1920 a
Avenida Goiás não tinha continuidade. Da atual Rua Tiradentes para a
frente, em direção ao córrego do moinho, era um brejo só, sem
passagem. Para lotear a vila Barcelona foi preciso aterrar o trecho
que daria continuidade à Avenida Goiás. O aterro foi feito com tropas
de cavalos que puxavam carrocinhas tipo caçambas. Foi esse aterro que
propiciou o acesso ao novo loteamento, criando ainda uma nova opção de
interligação de São Caetano do Sul com a estação São Bernardo, hoje
centro urbano de Santo André.
Em 1930 a avenida já
estava aberta ao trânsito. Caçambas puxadas por cavalos aterraram a
área para o novo loteamento que se erguia (a vila Barcelona). Era a
expansão urbana que chegava, o que possibilitava a abertura de várias
vias. A Goiás era estreita, repleta de chácaras.
No final dos anos 40
já havia ônibus que vinha de Santo André para São Caetano - eram as
jardineiras. Passavam pela Goiás mesmo sendo a avenida, como as demais
ruas da época, totalmente de terra.
Na região da vila
Barcelona a Avenida Goiás foi a primeira a ter pavimentação a
paralelos. E no governo Pellegrino (49-53), a prefeitura ampliou o
calçamento no itinerário dos ônibus; o trecho da rua Alegre entre a
Goiás e a Oriente, bem como outras ruas.
Hoje, alargada, melhor
iluminada e urbanizada, a avenida conta com problemas típicos de suas
proporções. Cerca de 350 mil veículos trafegam nela diariamente e não
raro, acontecem acidentes, como o que acabou vitimando três crianças
de uma mesma família, em abril de 1994. O excesso de velocidade dos
motoristas, principalmente à noite, é o principal motivo dos
acidentes. Para acabar com o problema - e com os "rachas" promovidos
pelos jovens, a prefeitura e a Polícia Militar estão instalando
radares ao longo da avenida e limitando a velocidade para no máximo 50
km/h. As reformas de 1996 visam dar maior segurança à motoristas e
pedestres, com a instalação de semáforos inteligentes e lombadas
eletrônicas.
O tipo de ocorrência
mais comum na avenida Goiás nos finais de semana é o flagrante de
menores dirigindo. Para tanto são realizadas blitz esporádicas na
avenida. Outro crime facilmente verificado é a venda de bebidas
alcoólicas à menores de idade.
 
Mudanças
A Avenida passou ao
longo de sua existência por diversas reformas que ora melhoravam
apenas sua pavimentação, ora melhoravam seu aspecto urbanístico.
Já no início da década
de 40 a avenida passou por reformas: foi alargada em 2 metros.
Quando assumiu a
prefeitura pela segunda vez, em 1973, o prefeito Walter Braido
delineou a ampliação da avenida Goiás, na época uma via pública
estreita, comum e congestionada. A construção da nova Goiás
transformou-a na principal artéria de tráfego da cidade e num corredor
viário da máxima importância para a interligação entre São Paulo e o
Grande ABC. Ao todo foram três anos de obras ininterruptas que
serviram para alargar o trecho entre as avenidas Guido Aliberti e
Presidente Kennedy ( de 12 para 40 metros ), e a construção de
galerias pluviais que tencionavam acabar com os problemas das
enchentes. As obras iniciadas durante a gestão de Braido só terminaram
em 1977, na administração do prefeito Raimundo da Cunha Leite.
Foi por causa destas
reformas que a avenida foi batizada como "São Caetano di Thiene", mas
o nome não pegou e dado o clamor popular contra a nova denominação, o
nome voltou a ser Avenida Goiás. Mas a maior polêmica em torno das
reformas se deu em virtude das desapropriações necessárias para as
obras. Ao todo foram desapropriados 200 imóveis, dos quais 9
indústrias e o prédio da Faculdade Paulista de Serviço Social. Houve a
necessidade de se derrubar o obelisco da praça dos Estudantes, o que
gerou várias controvérsias e manifestações de protestos. Muitas ruas
também desapareceram, sendo uma delas a Rua Margarido Pires.
Na administração do
prefeito Antonio Dall'anese, a avenida passou por novas modificações
de urbanização, seus quinze pontos de ônibus e seis bancas de jornal
sofreram padronização. Foram colocadas cerca de 60 lixeiras, a reforma
do piso de suas calçadas, de seu canteiro central e a colocação de 150
semáforos inteligentes e 11 lombadas eletrônicas, tudo para melhorar o
fluxo de cerca de 350 mil veículos que passam nela diariamente.
 
Point
Mas nem só de trânsito
e comércio vive a avenida. Ela vive também do calor humano que os
pedestres que nela circulam emanam. Um público eclético, composto por
velhos, jovens, mauricinhos e punks, costumam freqüentar à noite os
bares e calçadas da Goiás. Aos domingos, durante o dia, em frente ao
antigo Paço Municipal, os jovens se reúnem na realização da
tradicional Feira de Artesanato do Lero para praticarem o "footing",
um tipo de paquera em que as pessoas caminham em círculo para se
conhecerem. À noite, estacionam seus carros perto dos bares e
danceterias da avenida e partem para a paquera. A avenida, enfim, não
é só de concreto e asfalto.
 
Fontes
Jornal "Diário do
Grande ABC"
caderno sete cidades, página 04 - 08/03/1996
Jornal "Diário do Grande ABC"
suplemento de aniversário "São Caetano - 113 anos"- 28/07/1990.
Jornal "Folha de São Paulo"
caderno cidades, páginas 02 - 19/09/1994
Jornal "Folha de São Paulo"
caderno SP, Páginas 13 - 28/07/1991.
Jornal "Folha de São Paulo"
caderno ABCD, 24/091995.
Jornal "Sancaetanense"
26/07/1986
Jornal "Jornal de São Caetano do Sul"
01/07/1992
Revista "São Caetano - 118 anos"
julho/1995
Revista "São Caetano do Sul - 40 anos"
página 26 - novembro de 1988.
Livro "Migração e Urbanização"
Ademir Medici, editora Hucitec, páginas 285 à 315.
Livro "Subúrbio"
José de Souza Martins, editora Hucitec, página 117
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